Blog dedicado a Aldeia de Amoreira e a todos os seus habitantes e amigos.......

30
Ago 13
Fez no passado dia 1 de Maio de 2013, cento e dezasseis anos que saiu para a rua o primeiro exemplar da revista “ O RioMoinhense”.
A revista que teve o seu primeiro número no ano de 1897, tinha como director o senhor Francisco Egídio Salgueiro que classificava “O RioMoinhense” como sendo uma revista de cariz científico, literário, noticioso, crítico e biográfico e veio preencher um espaço de grande importância, pois naquela altura os meios de informação eram escassos.
Mas em pleno século XXI, os vinte e quatro números já publicados são muito importantes para percebermos como viviam os nossos antepassados e quais eram as preocupações e desejos para a sua freguesia, como alguém disse uma vez “ quem não valoriza a sua história arrisca-se a cometer os mesmos erros”.
Esta publicação tinha sede em Abrantes, mas as suas notícias eram como se a sua sede fosse em Rio de Moinhos. Os pedidos de assinatura e de anúncios eram feitos na farmácia Pires em Rio de Moinhos e na Livraria de António Augusto Salgueiro em Abrantes. Uma assinatura para os habitantes de Rio de Moinhos custava na altura 250 reis, mas para habitantes de outros locais custava 300 reis. Na sua primeira edição, “O RioMoinhense” escreve que em finais do séc.XVII, Rio de Moinhos era um lugarejo com cerca de cem fogos dispersos ribeira acima até ao Braçal, “ ….pode assim sem receio rivalizar com a Sintra imortalizada por Byron . ”
Podemos ler também que a Junta da Paróquia manifestava o desejo de ver alguns melhoramentos na freguesia “ quase dois anos depois de orçado e aprovado o calcetamento do largo em frente à Igreja, não voltou a falar-se no assunto.” (O RioMoinhense nº1).
Sugeria-se ainda ao Município para solicitar ao governo a construção da estrada até à Pucariça ou Aldeia de Mato, e pedia-se a colocação de candeeiros para a Pucariça e Caldelas e também o arranjo da fonte. Nos números que se seguiram foram feitas várias biografias de personalidades importantes da época, saíram notícias sobre a vida do concelho e localidades vizinhas como Montalvo. Mas dos vários artigos publicados destaca-se o tema da educação, pois havia um défice de escolas na região. Abrantes tinha apenas uma escola de ensino elementar e um professor para uma população de sete mil habitantes. Segundo o “RioMoinhense” também a Junta da Paróquia de Rio de Moinhos se pronunciou favorável quanto a instalação de uma escola em Amoreira; semanas depois a pedido de Avelar Machado, foi aprovada a criação de uma escola de ensino elementar em Amoreira, mas constando que a Câmara decidiu “... não tomar a seu cargo o fornecer da casa e da mobília escolar.”
Assim, através do” RioMoinhense” de 1897 podemos hoje, saber um pouco mais da vida dos nossos antepassados, na altura. Para quem quer saber mais, aconselho a leitura da revista Zahara de Novembro de 2011, disponível na biblioteca Municipal de Abrantes.
Para finalizar gostaria de realçar o nome do Sr. Rui André e a importância que têm tido as publicações escritas sobre a nossa freguesia, quer em papel quer em formato digital, bem como as fotos que tem tirado nos principais eventos, para que no futuro também as próximas gerações percebam como se vivia no início do séc. XXI.

publicado por Nuno Damoreira às 08:43

29
Ago 13
Caros Amigos!!
Alguém tem documentos ou fotos antigas com interesse que queira partilhar?
Quem tiver ou estiver interessado em partilhar com todos os Amoreirenses pode enviar para o meu email ou contactar-me pessoalmente que eu introduzo no nosso blog!!
Vamos todos fazer do nosso blog um ponto de encontro de Amigos, onde se pode recordar o passado mas acima de tudo cimentar as amizades do futuro.

Nunodamoreira
(nunobull@gmail.com)























Porto de Amoreira

publicado por Nuno Damoreira às 09:01

28
Ago 13
Numa altura onde se fala tanto, no Concelho de Abrantes, do Aquapolis e do Cais de Rio de Moinhos gostaria de dar a conhecer um pouco da história dos marítimos de Amoreira.
Embora hoje em dia Amoreira pareça estar longe do Tejo, nem sempre foi assim, e para além da Agricultura, o Tejo também fazia parte do ADN da população de Amoreira.
Na altura em que havia barcos de transporte no Tejo, Amoreira forneceu muitos e bons marítimos que transportavam várias mercadorias para a zona de Lisboa.
Nesse tempo viveu um ilustre senhor a quem chamavam “Arrais Vicente”. Este Mestre marítimo nasceu em 1912, em Amoreira, mas muito novo foi morar com os pais para Salvaterra de Magos. Durante a sua vida escreveu “Cantos do Tejo”, um livro onde relata as suas vivências e dos que o acompanhavam na grande aventura que era fazer transporte de mercadorias, de barco no Rio Tejo. No seu livro, Arrais Vicente escreve:

Tudo vai para o mar
O mar é uma lagoa
É tão longe daqui ao mar
Como do Mar a Lisboa

Nasci no Lugar da Amoreira
Viajei para Salvaterra
Agora queira ou não queira
Não consigo ser quem era

Primavera tem várias flores
Mas nenhumas são iguais
Primavera vai e vem com amores
A mocidade não volta mais

Meus pais foram-se embora
Eu no mundo fiquei
Pensando a toda a hora
Até onde chegarei

O Mestre Vicente Francisco “Arrais Vicente”, relata várias histórias da vida do rio, histórias essas de alegrias, morte e de coragem como esta de 1945.
“Entre eles estava o arrais António Major, natural de Amoreira, Abrantes, Vicente Francisco da mesma localidade, José Casanova de Benavente e um da Moita (….), nós queríamos andar para baixo e o vento empurrava para cima, pois era vento pelo oeste e com a maré a vazar levantava ondulação de pôr qualquer barco em perigo de naufragar.
O arrais António Major sempre o conheci como bom marinheiro e muito trabalhador, foi o primeiro a pôr as velas no ar e pôr o seu barco a lutar contra aquele mau tempo(…)arrais Vicente estava a temer o perigo,(….) pensou se aquele vai eu também vou(….)dois companheiros pensaram o mesmo(…) mas 500 metros andados desistiram e arribaram(…) O António Major e o Vicente Francisco continuaram a lutar contra aquele vento forte e vagas de mar, daquelas de fazer tremer o coração.(…) O grande e bom marinheiro António Major acompanhado dos seus dois filhos João Major e Manuel Major é que foram os três heróis mais aventureiros naquele dia de navegação difícil, (…)”
Mais á frente Arrais Vicente conta assim a história do Porto de Amoreira:

“No lugar de Amoreira (…) foi construído um cais em 1921, na margem do Rio Tejo para os barcos acostarem e carregar e descarregar toda a qualidade de mercadorias. Eu vi colocar as argolas para as amarrações dos ditos barcos se segurarem. Eram de metal amarelo (ou seja de latão).
Os anos foram passando e as cheias juntaram terras em cima do dito cais, hoje o cais está debaixo da terra e tem muitos salgueiros em cima dele, quando a gente se dirige para o Tejo fica situado na berma da estrada ao nosso lado esquerdo. Os homens do meu tempo sabem desta construção, mas daqui a 50 ou 100 anos se forem fazer um desaterro naquele local ficam de boca aberta, ali foi “PORTO DE MAR”. “

Como podem ver, Amoreira ao longo da sua história, sempre esteve ligada ao Tejo e à sua vida.

Para terminar, gostaria de salientar não só os bravos marinheiros mas também as mulheres de coragem, que devido à ausência dos seus maridos tinham a árdua tarefa de serem os homens e as mulheres da “Casa”.

Um bem haja ao Mestre Vicente Francisco que nos deixa relatos fantásticos do tempo em que o Tejo não servia só para pescar, mas igualmente para transportar mercadorias num “Varino” de vinte toneladas…. era uma GRANDE AVENTURA!!!


Alguns Maritimos  da Freguesia de Rio de Moinhos...


Mestre Arrais Vicente de Amoreira
publicado por Nuno Damoreira às 18:23

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